BURNOUT E ESTRESSE NO CUIDADOR

16/05/2011 19:45

Você já teve a sensação de estar sendo exigido além de seus limites emocionais? Seja no trabalho remunerado ou naquele necessário dentro de casa, ou até mesmo para cuidar de familiares enfermos? A falta de forças para lidar com o dia a dia, fadiga, indiferença emocional em relação a problemas, falta de perspectivas para o futuro, sentimentos de incompetência e fracasso podem estar ligados a uma síndrome descrita desde a década de 70, o Burnout.

“Burnout” é a expressão utilizada em inglês para identificar o estado que os usuários de drogas ficam quando se entregam completamente as mesmas, sem conseguir fazer qualquer outra coisa. Foi pensando nesse estado, de total entrega ao problema, que Freudenberger, em 1974, descreveu um conjunto de sintomas resultantes da tensão da vida moderna.

Quando o corpo se vê durante muito tempo em estresse, existem certos hormônios que reagem e fazem o organismo pensar e agir como se estivesse em um estado de guerra. Ou seja, as coisas importantes passam a não serem mais consideradas assim e aparece um humor irritado, “disfórico” como chamamos na psiquiatria. A pessoa deixa de cuidar de si mesma para se entregar totalmente a sua profissão ou aos cuidados de um familiar doente, pois o que passa a importar é simplesmente manter o paciente vivo. Mas, ao mesmo tempo, como o trabalho é muito exaustivo e pouco recompensador, temos um descontentamento generalizado.

Podem ocorrer ainda alterações de sono, já que o corpo sente necessidade de descansar, mas precisa ficar em alerta ao mesmo tempo, no caso de ser necessário ir ao “campo de batalha” do trabalho. Variações no apetite e ganho ou perda de peso aparecem em consequência dessas mudanças hormonais. Um “soldado” precisa comer rápido, pouco e guardar o máximo de energia possível. Mas se essa energia toda não é gasta com atividades físicas intensas, pode haver ganho de peso.

Com o passar dos dias, esse trabalho exaustivo, monótono, repetitivo e pouco recompensador perde o sentido, de forma que as coisas já não o importam mais e qualquer esforço parece ser inútil. Cuidar de alguém exige atenção constante, com grandes responsabilidades que andam junto o cuidador a cada gesto, sem falar na carga emocional, principalmente quando o indivíduo está envolvido afetivamente com a pessoa a ser cuidada. Ele se desgasta e, num extremo, desiste, não aguenta mais, e entra em Burnout.

Alguns cuidadores, depois de um tempo, queixam-se de que não veem seus pacientes ou familiares como pessoas que realmente necessitam de cuidados especiais. Muitas vezes se encontram tão exaustos que não querem acordar para trabalhar, relatam sofrimento intenso e ansiedade na noite anterior ao início da semana. Sentem-se incapazes de atingir seus objetivos, e assim ficam derrotados. Muitos acumulam funções que não conseguirão cumprir, por acharem que são os únicos capazes, como as mães que se dedicam exclusivamente a seus filhos, abandonando suas próprias vidas. Ou filhos que se tornam os únicos cuidadores de seus pais e não dividem a tarefa com outros irmãos. E ainda profissionais de várias áreas que tem uma imagem de onipotência e onisciência e não admitem dividir seu trabalho com seus subalternos por sempre acharem que ninguém fará tal função como eles.

Você se sente esgotado no final do dia? Como se estivesse em seu limite? Emocionalmente exausto e frustrado com o seu trabalho? Acha que se tornou mais insensível depois que começou a exercer essa função? Pessoas competitivas, impacientes, com necessidade de controle total da situação, e baixa tolerância a frustração, que não possuem uma roda de amigos ou familiares para dar suporte podem sofrer mais com a síndrome de Burnout. Assim como determinadas profissões, onde a síndrome aparece com maior frequência, como médicos, enfermeiros, psicólogos, policiais, ou qualquer emprego que lide com o ser humano o tempo todo.

O quadro pode aparecer de maneira silenciosa, mas tão desgastante e tão prejudicial quanto se fosse de forma aguda. Procure sempre auxilio de um médico para cuidar de sua saúde.

Autoria:
Dra. Thaís Zélia dos Santos

 

Fonte: http://www.medicinadocomportamento.com.br/textos_temaslivres1.php