ALCOOLISMO X ADOLESCENTE: UMA PARCERIA EXPLOSIVA

03/05/2011 13:19

Autoria: Dr. Diego Amadeu Batista Bragante

 

No inicio de meu trabalho, há dez anos com adolescentes, minha preocupação era com as drogas ilícitas, como maconha e cocaína.  Hoje sei que as drogas licitas, como a bebida que é aceita socialmente causam tanto ou maior dano que as primeiras.

Se com as primeiras o usuário tem uma idéia de que esta fazendo algo que é proibido e pode causar dano, ainda que ele não aceite esta circunstância, com o álcool a diferença é que ele é aceito socialmente. Onde quer que esse jovem esteja, com amigos, sozinho ou mesmo em família ele tem acesso a bebida. Este é um acesso  de modo geral, irrestrito.

O álcool está presente na maioria das comemorações, e muitos acreditam que tomar um porre é uma travessura adolescente sem maiores conseqüências. Mais que isso, em algumas culturas, o primeiro porre é considerado rito de passagem.

Oito a dez por cento da publicidade da TV anuncia bebidas alcoólicas, em especial em programas esportivos e voltados para os Jovens. Ao mesmo tempo as bebidas alcoólicas são o sexto produto mais divulgado na publicidade. Oitenta por cento dos adolescentes já beberam uma vez na vida segundo pesquisa realizada pela UNICEF.

Outra pesquisa desta mesma instituição aponta que 33% de alunos de ensino médio fazem consumo excessivo do álcool, pelo menos uma vez por mês, bebendo grandes quantidades em curto espaço de tempo.

O consumo de álcool começa em média aos 12 anos, e muitas vezes no próprio lar. Muitos desses jovens vêem os pais embriagados. Estes dados reforçam a idéia de que a bebida alcoólica faz parte do universo do adolescente e dos adultos cotidianamente, sendo seu abuso tolerado e muitas vezes não combatido até que as conseqüências se tornam tão visíveis que não se pode ignorá-las.

Essas conseqüências no adolescente são principalmente:

 Diminuição do aproveitamento escolar.

 Perda do interesse em atividades próprias da idade como namorar, pratica de esportes.

 Crises de ansiedade, pânico e quadros depressivos.

 Alterações orgânicas importantes, tanto neurológicas, quanto do fígado e pâncreas.

 Ganho de peso.

Como aponta a Dra. Ana Beatriz Barbosa e Silva: “ cada porre com aqueles brancos do que ocorreu no dia anterior, custa ao cérebro a morte de alguns milhares de neurônios. Isso em longo prazo é capaz de reduzir toda a capacidade cognitiva, produtiva e executiva de uma pessoa”.

Mais grave ainda é o fato de que quanto mais longo é o histórico de consumo, mais profundos e difíceis de cuidar são os problemas decorrentes do abuso, tanto físicos quanto psicológicos. Por isso é importante a atenção dos pais e das instituições de ensino ao comportamento do jovem e seu grupo de amigos.

O alcoolismo tem sim um componente genético, sendo comprovado em diversas pesquisas científicas, tanto em âmbito nacional e internacional. Assim famílias com ancestrais que tiveram problemas com álcool devem ter cuidado redobrado com seus jovens, pois eles tem 50% mais chances de ter problemas com o consumo de álcool.

Caso seja diagnosticado no jovem um problema ligado ao consumo excessivo de álcool, o primeiro passo para o tratamento é uma mudança dos hábitos familiares do consumo de bebidas: é necessário que o álcool se torne menos presente no cotidiano dessa família e conseqüentemente desse adolescente.

Mais que isso, é fundamental que esse jovem repense sua relação com o álcool, e o melhor caminho para isso é sempre um processo psicoterápico de qualidade, seja individual ou em grupo.

O processo psicoterápico é de grande valia para o entendimento da relação entre o grupo ao qual esse adolescente pertence e o álcool, e mais que isso qual a importância desta substancia nas suas relações interpessoais. Num segundo momento a psicoterapia pode ajudar em muito esse jovem a entender e modificar a sua relação pessoal com o álcool.

A mudar essa relação com o álcool e o conseqüente entendimento do efeito desta substancia, como elemento presente nas relações interpessoais , leva inevitavelmente à mudança de conduta frente ao consumo da bebida.

 

Fonte: http://www.medicinadocomportamento.com.br/textos_temaslivres9.php